Gadu e Tavianni brilham no feriado soteropolitano

•13 dezembro, 2009 • Deixe um comentário

Os fãs de uma boa música que foram ao Bahia Café Hall nesta terça-feira não se arrependeram do que viram. Maria Gadu e Isabella Taviani foram os grandes destaques da festa, que contou ainda com o talento das baianas Daniela Tourinho e Thati.

O show marcou a abertura do projeto Boa Tarde e Boa Música, no entanto devido ao atraso de quase duas horas para o início dos shows, já era noite, quando soaram os primeiros acordes. A produção não informou ao público o motivo do atraso, o que gerou vários protestos do público. No entanto no seu twitter a cantora Isabella Taviani explicou que o atraso foi devido às chuvas em São Paulo, que deixou o aeroporto paulista fechado por algumas horas, ocasionando o atraso das duas principais atrações.
Quem abriu a noite foi a baiana Daniela Tourinho que surpreendeu apresentando sua “mps baiana” com uma bela voz e muito talento. Em seguida foi a vez de Thati, recém chegada do Rio de Janeiro, onde finalizou a gravação do novo cd, a baiana mostrou porque já é reconhecida na cena musical como um dos novos grandes talentos da boa terra, fazendo um belo show. O público acompanhou com as letras na ponta da língua.

A terceira atração foi Isabella Taviani, que como de praxe, fez um belíssimo show, acompanhada pela platéia que a plenos pulmões cantou todas as canções da carioca. Isabela que tem familiares baianos, agradeceu o carinho e fez juras de amor à Bahia. Canções como “Diga sim pra mim”e “Presente e passado” não faltaram, assim como canções do novo disco “Meu coração não quer viver batendo devagar” lançado recentemente. Apesar de reclamar por diversas vezes de problemas no áudio, Taviani fez muito bem a sua parte e deixou o palco para dar vez àquela que já é considerada a nova grande voz da música brasileira, Maria Gadu.


Quando a paulistana subiu ao palco, levou ao delírio o público que chegou ao Bahia Café Hall antes do por do sol. Gadu mostrou pela segunda vez em menos de um mês todo o seu talento em solo baiano. Ao fim de cada música, a cantora parecia incrédula com a receptividade do público, que cantou todas as letras. Como de costume em seus shows, Gadu recebeu o amigo e ator da Record, Leandro Léo para dividir o palco em “Laranja” e “Linda Rosa”. Sempre muito emocionada e tímida com as demonstrações de carinho, Gadu eternizou a noite “aprontando” com a banda, mas ganhando de vez o coração do povo baiano, ao sair do repertório para interpretar um dos hinos do carnaval soteropolitano, “Eva” da banda Rádio Táxi e imortalizada por 10 entre 10 cantores de axé. O momento pode ser considerado o ápice da grande noite com quatro grandes artistas.

Este texto foi cedido e publicado no Portal Itapoan Online.

Salve, salve essa nega! Que axé ela tem!

•15 novembro, 2009 • Deixe um comentário

DSC02566Um show brilhante, uma voz divina e um coral abençoado! Uma noite inesquecível e toda dela, Maria Gadu! Terceira atração da noite, sem dúvida era a mais esperada. Desde as quase duas horas de fila ainda durante a tarde, era nela que o público mais falava. Eram dela as músicas cantadas nas demoradas horas de epopéia em busca do bendito ingresso.

DSC02519Gadu mostrou que é mesmo tudo o que se fala e talvez até mais. Digna dos elogios, por mais que estes carreguem desnecessários rótulos, a cantora visivelmente emocionada fez no Pelourinho um belíssimo show! Espaço pequeno, com capacidade para 1200 pessoas, a praça Pedro Arcanjo esteve lotada e viu um dos melhores shows do ano em Salvador – na opinião deste blogueiro autor, que foi a alguns vários.
DSC02542 O público cantou todas – literalmente – as letras do cd lançado recentemente – incluindo um embrometión em “Ne Me Quitte Pa”. A reação do público deixou Gadu profundamente emocionada. Ela parecia não acreditar e a cada final de canção fazia questão de dividir com o restante da banda aquela emoção. A alegria evidente no sorriso de menina dizia tudo. Era mesmo uma noite especial.

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Após o show, no twitter a cantora escreveu: “chegando do show em salvador!deliciaaaa!só fiz chorar!!brigadão galera!vcs são lindos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!feliiiiiiiz!” E também lembrou das outras cantoras da noite, “Marcia Castro e Mariana Aydar lindas!!!dois shows maravilhooooooooosos!!!!!!!!!!!!!!que presente poder participar disso!meninas fantasticas! ”

DSC02461De fato, a lembrança de Gadu tem fundamento e seria injusto não falar no lindo show de Maria Aydar que com sua voz doce e serena encantou a todos, mostrando que o novo cd tem a mesma qualidade do primeiro. Por sinal, foi com duas canções deste primeiro disco que Aydar marcou muito bem seu território, Deixa o Verão e Zé do Caroço, cantadas em coro pelo público. A baiana Márcia Castro também mostrou todo o talento que segue lhe rendendo prêmios Brasil afora e provando que a Bahia é sempre abençoada em revelar  grandes vozes.

DSC02538Gadu levou ao palco o ator, cantor e amigo Leandro Léo, para o seu lado interpretar Linda Rosa e Laranja. O garoto que viveu o hilário mal feitor Pesadelo na mais recente versão do Sítio do Pica Pau Amarelo, atualmente na Record, não decepcionou e fez muito bem a sua parte, – aliás vem fazendo sempre que se apresenta ao lado da amiga – mostrando que a carreira como cantor é tão promissora quanto a de ator. Gadu ainda presenteou ao público com um longo bis, em um show que além de suas excelentes canções passeou por Chico Buarque a Adoniram Barbosa embarcando no seu “trem das onze”.

DSC02550Muito aplaudida, Gadu prometeu voltar em breve – inclusive anunciou no twitter que retorna a Salvador no dia 08 de dezembro, para ainda em local a ser definido – informações divergentes apontam Área Verde do Othon e Bahia Café Hall – para um novo show, ao lado Isabela Taviane e a baiana Tathi. Que bons ventos a tragam e volta, sempre, afinal, como diria a saudosa Dona Cilda – sua avó – “salve, salve essa nega, que axé ela tem!” Ave menina da voz boa de ouvir!



Atualizado às 23h24 de 16/11/2009

“Eu sou uma bailarina e cheguei aqui sozinha”

•12 novembro, 2009 • Deixe um comentário

Era a Noite das Cantoras no Pelourinho, que neste mês de novembro recebe o projeto Música em todos os ouvidos”, e o clima intimista reinava na Praça Tereza Batista, quem abriu a noite foi a baiana Manuela Rodrigues, que mostrou mais uma vez, que belas vozes e talentosas pérolas temos por demais nas bandas de cá. Em seguida foi a vez da mineira Marina Machado que fez um rápido mais divertido show, fazendo releituras que foram do conterrâneo Milton Nascimento aos Mutantes, passando por Roupa Nova, além de canções próprias, todas acompanhadas de impagáveis interpretações.

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Quando a mineira deixou o palco, a ansiedade pelo show da paulista de nome diferente e que já quis ser Maria, tomou conta da maioria do público presente. Era ela, a estrela da noite,Tiê, que desde a apresentação da baiana Manuela Rodrigues, já distribuía simpatia passeando pela praça Tereza Batista, exibindo a linda barriga onde carrega, como mesmo disse, a nova integrante da banda – que dois dias depois descubro que terá o nome de Pam.

Com uma beleza e elegância que faria Caetano rever seus conceitos de “deselegância discreta de tuas meninas” ao escrever Sampa, a paulista e ex-modelo de voz suave subiu ao palco e fez a sua parte. Divindade em terra encantada, Tiê passeou pelo seu lindo repertório: “Dois”, “Chá Verde”, “A bailarina e o astronauta”, “Assinado eu”, “Quinto andar”….todas cantadas em coro pela turma do gargarejo, destaque para a franco-brasileira “Aula de francês”. Por fim Tiê presenteou ao público com uma versão quase flamenca de “Você na vale nada”, música da banda da sergipana Calcinha Preta.  O folk e as belas composições autorais dividiram espaço na terra de Caê que em “Lapa” proclama a união do “cool e popular”.

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Na platéia uma senhora pergunta a um dos muitos fãs com todas as letras na cabeça, como conheceu a cantora. Se surpreende ao ouvir “no boca a boca, um ouviu, disso pro outro e assim por diante…” Desta forma, ainda sem a exploração da grande mídia, acompanhamos o boom de mais um bela jovem voz da música. O ano de Maria Gadu, também é o do Tiê.  É, se engana quem acha que aqui só surgem talentos com tanta frequência, para o futebol.

No twitter, Tiê descreveu o encantamento com a noite no Pelô. “Show incrível em Salvador! E os bahianos mto queridos! Quero voltar logo!” disse a cantora, que pode ter a certeza de que o sentimento é recíproco por parte de quem foi ao show. Que a volta não demore a acontecer. “I’m already glad that I met you” mas ainda mais felizes ficaremos, com mais noites com a inesquecível do dia 07. Afinal, “tanta afinidade assim, eu sei que só pode ser bom.”

Só porque tenho por ‘elas’ um apreço imenso

•27 setembro, 2009 • Deixe um comentário

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As doze badaladas anunciando a meia noite terminavam no mesmo instante em que Emanuelle Araújo, Lanlan, Toni Costa e os demais integrantes da banda Moinho subiam ao palco do Bahia Café Hall na Paralela. Voltar a terra natal sem dúvida deve ter um significado diferente para Emanuelle e Lanlan, contudo a noite deste sábado, começo de domingo teve uma significado ainda maior para o público soteropolitano que foi à casa de show assistir à talentosa banda.

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Com uma sintonia vista em poucas trupes musicais, Emanuelle e Lanlan pareciam incorporadas e com espíritos de melhor qualidade. A entrega total na busca da batida perfeita era vista em cada batuque de Lanlan nos seus diversos instrumentos de percussão. Entrega que nos primeiros minutos de show já havia conquistado o público que ali foi para ver uma das mais talentosas bandas da atualidade.

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Com uma performance teatral encantadora, Emanuelle soltou a voz já muito conhecida em terra baianas e provou que já pode ser considerada gente grande no meio musical brasileiro. Lanlan, que não poderia ter data melhor para aportar em Salvador, justamente na noite de encerramento do Festival de Música Instrumental, esteve divina e ao lado de Emanuelle, mostrou que são mesmo “baianas boas” daquelas que gostam de samba, entram na roda e dizem que são bambas.

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Misturando clássicos do samba, com um gostoso pop e influências do black music, a Moinho matou bem a “Saudade da Bahia” indo de Dorival a Riachão e fazendo todo mundo cair no samba de roda com o velho molejo que só o baiano tem.  O repertório diferenciado deu ao show um “Q” de qualidade que poucas bandas neste país conseguem obter, sem falar nas porretas  ”Esnoba” e “Ela briga comigo” , as meninas baianas fizeram crescer ainda mais o apreço imenso deste blogueiro pela trupe.

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Por fim, após quase duas horas de show, a turma encerrou a passagem em solo baiano com Quixabeira, despejando orgulho da terra de uma ponta a outra, de Barreiras a Santo Amaro e partindo como um “passarinho que fez o ninho e avoou…” E como diz letra do mestre Brown, elas se foram com a sensação de que se “na ida levei tristeza, na volta trouxe alegria”. E que voltem logo!
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“Pequenas, apenas…”

•1 março, 2009 • 4 Comentários

Em meio ao silêncio da madrugada, elas insistem em querer sair.

Insistem em ter vida própria. Não admitem o aprisionamento.

Querem falar por si só. Querem respirar o ar poluído que nos cerca.

palavras
Querem domar. Necessitam. É preciso ter cautela. Vorazes, são capazes de jogar por terra edificações.

Mas também sabem ser mágicas. Doces, são capazes de construir templos sem ressurreição.

Amáveis. Traiçoeiras. Afavéis. Encantadoras. Místicas. Sensuais. Quimeras. PALAVRAS.

A difícil arte de descrever a “dança da desilusão”

•24 novembro, 2008 • 2 Comentários

Do outro lado do mundo vem a podre idéia de que eu escreva sobre o amor. Afinal que diabos seria isso? Acha um casalzinho da moda e escreve “peixe”. Pedido de luso brasileiro morador da Ilha da Madeira não pode ser negado. Afinal quem me dará abrigo no velho continente. A pedidos do luso amigo

Pra começar, não sei mesmo se o tal existe. Se ele for uma caruara nas pernas, uma batida acelerada de coração e uma vontade da zorra de ver a pessoa “amada”, então não existe não. Isso é algum tipo de sintoma pra alguma dessas doenças novas que descobrem no coração. Todo dia é uma nova descoberta. Assim como as sobre o tal do amocamelo-malu-melhorr.

Abro os sites que deveriam ser de notícias relevantes e vejo que a fofoca da vez, quer dizer a notícia, é o suposto namoro de um cantor de 30 anos com uma recém saída da casca do ovo de 16. Como fã do trabalho do “idoso” cantor, Marcelo Camelo, me senti convidado a entrar em discussões sobre o caso. De “prende este pedófilo” a “o amor é lindo”, e o povo é besta viu. Ok, também ouvi coisas mais certinhas e sensatas do tipo, “eles devem tá curtindo o momento”, “ah deixa os garotos brincar” – assim mesmo, com português errado, mas sensato. Também ouvi gente que assim como eu duvidava, mas que de antemão desejava toda a sorte do mundo ao casal, caso a coisa se concretize verdadeira.

Acho um saco essa coisa de falar sobre a vida das pessoas. Mas as pessoas se prendem tanto a isso aqui no Brasil. Semana passada tive que me vestir de advogado do Diabo e sair defendendo a cantora baiana Cláudia Leitte, que disse que não queria que o filho fosse gay. Eu também não ora essas! Mas o luso brasileiro me pediu um texto sobre o amor. Deve achar que eu to manjando, passa horas com o fake no orkut e deve ter dado atenção especial à minha página de recados.

camelo-maluMas fechando o parêntese, volto ao caso. Não curto analisar a vida das pessoas, mas nesse caso vamos lá, afinal o amor pode ser escroto e pedófilo. Escroto porque ao que me parece – vou no jornalismo preguiçoso que não apura porra nenhuma – Camelo tinha até pouco tempo um namoro estável e que já durava algum tempo, logo não sairia dele para uma aventura qualquer, e a menina da qual não compartilhei do repentino sucesso do youtube, também acaba de sair de um relacionamento, sob o qual não tenho informações.

Só pra por os pontos nos “is” ela tem nome, Mallu Magalhães e acaba de lançar um cd, onde a maioria das canções são interpretadas em inglês. Mas se rola um sentimento que para o bem deles, espero que não seja o da caruara, porque pode ser problema cardiorespiratório, e apesar do caos instaurado no planeta pela possibilidade, o Camelo ainda é jovem pra sofrer de problemas no ‘grão-orgão’ – se ele é imagina a menina.
Que seja uma vontade de ter o outro por perto, o sentir do cheiro mesmo a distância, o congelar da barriga com um abraço e o melhor sabor do mundo com um beijo apaixonado. Isso sim que é bom, agora esse tal de amor, presta não minha gente.

Eu vi um menino correndo…

•29 outubro, 2008 • 1 Comentário

Eu vi um menino correndo, mas não tinha nada a ver com o tempo, ou com cabelos brancos na fronte do artista. Não existia força estranha. A que havia era uma conhecida. O vento batia no rosto suado e ele corria. Corria e não conseguia parar. O coração pulsava cada vez mais forte. Ele passava as mão sobre os curtos cabelos. Parecia desesperado. Tudo o que ele mais queria não poderia ter. Por isso corria. Não tinha direção, só corria. Não tinha rumo, nem idéia de pra onde iria. Perdera a confiança no amor, na pessoas, em deus. 

Eu vi o menino correndo. Corria por desespero, por dor, por agustia e por desprezo. Corria porque não se sentia. Não era. A tensão não cabia em si. Ele queria se libertar, mas não conseguia. Estava preso em um corpo fadado ao insucesso. Detido a uma recusa. Eu só vi o menino. Não tive coragem de lhe falar. Mas por onde o menino passou, haviam lágrimas. Havia tristesa e solidão. Voltando pelo rastro se encontrava a causa. Bela, meiga, amada, musa e impassível autora do sofrível “não”.

A noite de João

•7 setembro, 2008 • Deixe um comentário

O frio da barriga que começou desde o momento em que entrei no ônibus com a intenção de assistir a João Gilberto a priori parecia inusitado. Porque? cheguei a me perguntar. Pouco antes das nove da noite – horário marcado para o início do show lá estávamos nós, a ‘patota’ que dormiu na fila e aguardou por quatorze horas até a abertura das bilheterias estava lá no saguão do Teatro Castro Alves. 

Lá ao lado dos governadores da Bahia, Jaques Wagner e de Sergipe, Marcelo Déda. Ao lado do ministro da Cultura, Juca Ferreira, de Daniela Mercury e outras celebridades, mas todas ofuscadas. Obviamente que chegaram ali com a intenção de serem coadjuvantes, mas nem era preciso querer, estariam de qualquer forma condenadas a esta sorte. Já passava das dez quando a terceira leva de palmas tomou o TCA, demonstravam muito mais ansiedade do que impaciência. Pouco minutos depois vem o primeiro toque da campainha, o frio na barriga aperta, dá uma vontade de ir ao banho, no caminho até lá o segundo toque. Tensão. O coração bate mais acelerado. Já na volta o derradeiro toque. O rapaz do teatro avisa: Já vai começar! A tensão também estava em seus olhos. Por nós passa correndo o secretário de cultura do estado à procura de alguém. Vai começar repetia Márcio Meirelles quase sussurrando.

Dez horas e cinco minutos, a voz do locutor mestre de cerimônias ecoa sobre o teatro. “Solicitamos que desliguem os celulares, esse inconveniente deve ser evitado. Especialmente neste espetáculo” frisa. A platéia ri. Era chegada a hora. O locutor comanda o momento “tenho a honra de convidar ao palco um dos maiores patrimônios da música brasileira: João Gilberto”

São dez horas e oito minutos. Como que vindo do nada ele surge, lentamente, violão na mão direita, olha a platéia antes de se sentar e a reverência três vezes com a cabeça, como os japoneses. Pronto. Agora era com ele e só. 
Então senta, bota a mão direita sobre a perna direita e, ainda sob aplausos, começa a se desculpar imediatamente pelo atraso. Mais aplausos, sob os quais ele começa a tocar uns acordes – mas interrompe tudo ainda no começo, para reclamar do microfone.

“Desculpem, mas eu pedi para não ser esse microfone, porque esse tem um negócio assim, desnecessário”, reclama, enfatizando bem o “eu pedi” 

Enquanto João tenta arrumar o equipamento a tensão toma conta do teatro. Um japonês de passo sorrateiro entra no palco e ajeita o microfone. João apresenta o técnico de som de forma simples: é o japonês.

Agora sim. João solta a voz, bem baixinho…”você já foi a Bahia nega? não? então vá..” A beleza de ver Caymmi por João enchia os olhos, os ouvidos. Era como se o próprio Caymmi estivesse ali em uma daquelas cadeiras balançando as pernas e revirando os olhos como ninguém para assistir João. Logo na seqüência ele conta uma história de Caymmi. “Ele foi fazer um show fora ai o rapaz falou pra ele o horário do ensaio, e ele respondeu ‘não, não, eu já vim ensaiado da Bahia’”. Por fim João repete uma parte da música…”você já foi a Bahia nega? não? então vá..” com uma voz e acordes diferentes do que havia acabado de interpretar, como se imitasse o velho amigo. Após o acorde final os aplausos demoram a chegar, como se o público estivesse paralisado com o encantamento do momento, mas ele mesmo faz questão de nos trazer a este plano e avisa, “pronto”. Como quem diz, acabei agora aplaudam. O que fazer se não aplaudir?

Em seguida João é a representação da modéstia: ”Olha, eu canto por esse mundo todo, mas a Bahia é diferente”. Ele observa a platéia e continua “eu fico até nervoso”. O orgulho pela terra emociona e os aplausos quase levam o TCA abaixo.

João é só bom humor, “hoje estou metido a contar histórias”. Ela cita mais uma vez o prazer de tocar na Bahia, a emoção de reencontrar amigos e familiares. Fala de uma gravação que ouviu de Edson Diniz e da esposa Maria Eugênia, amigos presentes na platéia. “Ela é psiquiatra – diz se referindo a Maria Eugênia – … Aliás, eu vou até endireitar minha cabeça…” diz o brincalhão João, colocando a mão na cabeça já sem muitos fios de cabelo.

João relembra Caymmi outras tantas vezes, brinca com a platéia, relembra as histórias de um primo, comenta algo a cada final de música, enquanto afina o violão para a seguinte. Em certo momento pede que o volume do violão seja elevado. ”Não, porque o som aí é um e aqui é outro. Quer dizer, é o mesmo, mas…” A platéia diz não se incomodar, ele escuta: “de lá do fundo já disseram ‘tá bom!’”. Compara o retorno com os alto-falantes “aquele que tem ali no Campo Grande, perto do Hotel da Bahia, quando dá seis horas o rapaz começa”, mas sentencia com um “Alto falante é lindo”. E assim o volume aumenta.

Durante “Meditação” de Tom Jobim e Newton Mendonça, acessos coletivos de tosse em vários pontos da platéia deixam João confuso. Ao fim da música, ele diz sorrindo: “cantei um verso que não era, de tanto escutar uma tosse…” . O público aplaude. Ele continua: “se eu soubesse tinha trazido um xarope”. Era um João só da Bahia, brincalhão, engraçado. Ainda neste intervalo de canções alguém grita: “Aumenta o som!” 

João não escuta e pergunta: “Como é?”. Ninguém diz nada. Ele pede: “Como é? Fale…”. E o cidadão incomodado diz: “aumenta o som!”. Ele responde que o “o som é lá no controle. O volume não é assim não. Senão não existiria a trompa, fom fom fom. A orquestra faz tchá tchá tchá – imitando um maestro –  enquanto a trompa está lá fazendo: fom fom fom…”.

 Após a explicação João volta ao violão, mas antes de recomeçar repete com um olhar perdido, como um “mas veja você” o pedido do homem desconhecido: “Aumenta o som…”. E depois de mais uma canção cantada quase que como um sussurro, mostra que não se esqueceu do homem sem rosto que pedira o aumento do volume: ”Desculpe, amigo. Eu vou treinar cantar bem alto!”.

João ainda reclama do ventinho enquanto nos presenteia com “Wave”, “Bahia com H”, “Estate”, “Desafinado” e tantas outras. Em “Preconceito”, ele faz corações amigos baterem mais fortes e debocharem da situação. “”Não maltrate o seu pretinho que lhe faz tanto carinho e no fundo é bom rapaz. Você vem de um palacete, eu nasci num barracão…Eu vou fazer serenata, eu vou cantar minha dor. Meu samba vai, diz a ela que coração não tem cor.” E depois mais uma vez relembra Caymmi, agora de uma forma inesperada, colocando em transe mentes e corações, é “Acalanto”. Ele promete que não vai se emocionar. Ao ritmo de “boi, boi, boi, boi da cara preta pega essa menina que tem medo de careta” um filme passa pela cabeça de cada ser ali presente. Inclusive a dele. É divino, como de outro mundo. O mundo só de João. E agora invadido por nós, nobres intrusos. De onde quer que esteja Dorival sorri de forma mansa e sente orgulho do amigo, da terra natal, do legado.

Meia noite e dois e o João termina o show. Muitos aplausos. Ele deixa o palco mas ainda sob os ininterruptos aplausos retorna. São mais cinco músicas, entre elas mais uma de Dorival, o grande homenageado da noite. Mas é com “Garota de Ipanema” que ele fecha a noite e celebra a Bossa Nova. O público agora já descontraído e até barulhento acompanha. Pronto. Meia noite e meia e João agradece com as três reverências de cabeça e se retira, erra a saída na primeira tentativa, mas anda um pouco mais no imenso palco onde por 2horas e meia ele foi gigante e desaparece. Era o fim. As luzes se ascendem. O frio na barriga estava justificado.

A noite dormida na fila dos ingressos não “valeu a pena” ela não subtraiu, ela somou. 
O calvário purificador antes do milagre. Não é um show – nem um som – para leigos. Poucos iniciados têm a oportunidade de serem encantados. A purificação se faz necessária.

*Trechos de Katherine Funke e Júlio Vellame. Fotos: Fernando Vivas

“É doce morrer no mar”

•16 agosto, 2008 • 1 Comentário

Morreu hoje aquele que para Caetano Veloso foi o  “único homem que foi barroco e zen ao mesmo tempo”.

Dori não precisa de que falem por ele, isso ele sabia fazer como ninguém. Hoje tem festa no céu, Zélia e Jorge sem dúvida, o receberão de braços abertos.

E lá se foi o velho marujo…que a partida tenha sido tão doce quanto seu legado.

“É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Saveiro partiu de noite foi
Madrugada nao voltou
O marinheiro bonito sereia do mar levou”

Vai marinheiro bonito, vai pra perto de tua sereia.

O Maior amor do mundo

•8 agosto, 2008 • Deixe um comentário

Ele se sentiu o ser mais feliz do mundo. As flores eram divinas, o céu maravilhoso, o mar encantador.

Tudo ganhara uma proporção fora do comum e graças a ela.

A sintônia estava estabelecida…ele descobrira a reciprocidade.

E o amor. Ah o amor. Ele descobriu que era o amor da vida dela.

O maior do mundo. Ela só precisa entender.

Mas pra ele está claro. Ela é sábia. Descobre com rapidez.

Descobriu quando lhe disse bem baixo no ouvido. “Tenho medo. Preciso de você”

Ele não sentiu medo. Só amor