“É doce morrer no mar”

•16 Agosto, 2008 • 1 Comentário

Morreu hoje aquele que para Caetano Veloso foi o  “único homem que foi barroco e zen ao mesmo tempo”.

Dori não precisa de que falem por ele, isso ele sabia fazer como ninguém. Hoje tem festa no céu, Zélia e Jorge sem dúvida, o receberão de braços abertos.

E lá se foi o velho marujo…que a partida tenha sido tão doce quanto seu legado.

“É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Saveiro partiu de noite foi
Madrugada nao voltou
O marinheiro bonito sereia do mar levou”

Vai marinheiro bonito, vai pra perto de tua sereia.

O Maior amor do mundo

•8 Agosto, 2008 • Não Há Comentários

Ele se sentiu o ser mais feliz do mundo. As flores eram divinas, o céu maravilhoso, o mar encantador.

Tudo ganhara uma proporção fora do comum e graças a ela.

A sintônia estava estabelecida…ele descobrira a reciprocidade.

E o amor. Ah o amor. Ele descobriu que era o amor da vida dela.

O maior do mundo. Ela só precisa entender.

Mas pra ele está claro. Ela é sábia. Descobre com rapidez.

Descobriu quando lhe disse bem baixo no ouvido. “Tenho medo. Preciso de você”

Ele não sentiu medo. Só amor

Ventos de alegria ou O bicho estranho da felicidade

•29 Julho, 2008 • 1 Comentário

Esses dias ele estava meio assim, serelepe, saudosista, sereno…feliz.
Não tinha motivos em especial. Ao menos imaginava não ter.
Na sexta-feira que seria incomum sem a cerveja com os amigos, ele descobriu o porque do vento de felicidade.
Talvez devido às voltas que uma conexão dá, a brisa da alegria tenha passado primeiro na capital para depois seguir rumo à princesa do sertão.
Num recado carinhoso que ainda hoje ele faz questão de guardar, a dona da escrita mágica trouxe a boa nova.
Ele achou engraçado sentir toda aquela felicidade pela alegria alheia.
Mas logo percebeu que não era simplesmente “alheia”.
A caneta assanhada de imaginação tão célebre quanto a que inspira J.K.Rowlling já havia colocado seu encanto sobre ele.
De forma tão impiedosa quanto a cegueira branca de Saramago e tão doce quanto o amor criado por Garcia Márquez, do velho centenário pela jovem Delgadina.
E assim o bichinho estranho da felicidade foi abrindo espaço coração a dentro.
Era o bicho estranho tomando conhecimento de que com amor tudo fica mais fácil e até milagres acontecem – neste caso ainda estão por vir.
E o danado do bicho vai assim construindo uma grande, sincera e saudável amizade.
Coisa boa. Regada a muita felicidade.

Eu é que agradeço.

Longe dos olhos, mas perto do coração

•26 Julho, 2008 • 2 Comentários

Desde quando amor tem prazo de validade? Talvez aqueles que inventaram as regras de que quando estivermos bem apegados é hora de nos separarmos e cada um seguir o seu caminho, achassem que sim. Ou talvez apenas quisessem fazer a coisa ser mais gostosa. Ainda mais emocionante.

Se era esta a intenção, parabéns, conseguiram. Tem coisas que depois que acabam, dá uma vontade danada de sentir de novo, de conviver novamente. E quando aparece uma oportunidade, eles não desperdiçam.

A vida joga os dados e faz questão de colocá-los em extremos, mas eles são bons no jogo de azar. Pouco importa se são enfermeiros, advogados, policiais, professores, médicos ou jornalistas. O coração vai bater sempre mais forte quando essas chances aparecerem.

Em uma delas o menino que brincava de soldadinho de chumbo vira comandante como gente grande. E os aplausos vindos daquela direção são reconhecidos pelos ouvidos que cresceram apurados por eles. A menina de coração grande, impecável, decidiu seguir a brincadeira daqueles tempos, quando as bolinhas de papel cruzavam os ares. Ela quis ser mestra.

Mas ali estavam todos eles, independente do que viessem a ser, já eram muito mais. Eram amigos. E em noites de gala, o gozador de coração mole se rende à falta de validade do afeto, do amor e do carinho.

O som alto dá o lembrete: Estamos em festa. Em meio ao piscar de luzes, eles são apenas cúmplices. Eternos cúmplices. O que resta a fazer é emoldurar o momento.

Pronto. Chamem as crianças, lhes mostrem o quadro. Temos histórias para contar. Longe dos olhos, mas perto do coração.

Pensei que fosse o céu…

•26 Julho, 2008 • Não Há Comentários

Ele não estava apto ao amor; não por agora.
E aquele era apenas mais um dia que terminaria como os outros.
Mas quis o destino que velhos amigos o tirassem de casa, naquele sábado que por contexto já seria feliz.
Reunidos conversavam como antes, recordavam os tempos de mamadeira brindando com cerveja.

E eis que de repente em mais uma entre mesas ao redor, olhares se cruzam, se fixam.
Um respiro profundo, um início de sorriso gracioso e um baixar de olhos encantador.
Ele não imaginava. Não era possível. Como caber tanta intensidade em um tempo tão curto.

Antes que daquela noite nascesse um novo dia, eles já dividiam a mesa.
Baianos e gaúchas conversavam como se fossem amigos de décadas.
Bem verdade que por ele, ainda continuariam a apenas se olharem por horas.
Porém, os amigos, percebendo “o momento”, fizeram em poucos minutos a união dos mais de três mil quilômetros que separam Salvador de Porto Alegre.

Enquanto o garçom continuava a trazer cerveja, o sábado já era domingo e casais baiúchos se formavam entre os amigos dele e as dela.
Mas os dois continuavam ali apenas a conversar, olho no olho, dividindo gostos parecidos e poetizando cada um a sua terra natal.

Os belos cabelos negros, o olhar cerrado, o cigarro e os quase 30 anos de idade davam a ela um ar de quem tinha muito a contar perto de alguém que rompeu há pouco a barreira dos 20.
Eles riam dos amigos e das situações provocadas pelas 26 garrafas sobre a mesa. Mas eles estão sóbrios, sóbrios de um sentimento que a priori pareciam recusar.
Mas em pouco mais um hora era impossível deter. Era maior que ambos e assim foi.
Depois, eles voltaram a se ver no final daquele mesmo dia que viram nascer, e depois no outro e no outro, neste ela o relembrou
-É o último!
Ele quis não acreditar, ela havia dito, no começo, ainda na mesa do bar. Ele cego, preferiu não ouvir.

O seguinte ao outro do outro foi o da despedida, se viram apenas no aeroporto. Sem melancolia, sem fotos juntos, sem juras de amor, sem contatos.

Por algumas horas foram um do outro e só. Acordaram juntos. Viveram uma só história.
Em toda a vida ela jamais falara “ouxe”, mas nesses quatro dias aprendeu com ele, e disse tantos quanto os “barbaridade” carregados no erre, que ele pronunciou.

Mas tudo chegou ao fim. Acabou quando o Salvador/São Paulo/Porto Alegre levantou vôo. Talvez não se vejam nunca mais. Se quiser o destino, trate ele próprio de colocá-los novamente no mesmo caminho. Escolheram assim. O porque talvez nem eles saibam explicar.
Só queriam viver “o momento”. A paixão intensa, tênue, tensa. E conseguiram.
Terão uma história de entrega, de doação de um ao outro para um dia contar.

Ele sai do aeroporto sozinho e vai até o ponto de ônibus, pensativo, dúbio, porém feliz. Leva consigo apenas três imagens de resolução baixa, com sorrisos de começo de manhã, daquela que por pouco mais de cem horas, foi por ele a mais amada entre todas.

Porque um dia a barba pára de crescer

•20 Julho, 2008 • 1 Comentário

Foram oito linhas que findaram uma história de dez anos

Um tempo, um hiato; Assim como todo carnaval, toda banda tem seu fim

Será a hora de ir ao armário e ter contato com a esquecida lâmina de barbear

E pronto, está quebrado o encanto

“E se já não sinto os teus sinais, pode ser da vida acostumar, será?”

Da série “deu uma saudade de vê-los juntos” - texto de um ano atrás.

O mais belo entre todos…

•20 Julho, 2008 • Não Há Comentários


(I) O mundo poderia até acabar ali.
Mas Deus se comoveria com o seu sorriso.
Homens poderiam começar, naquele momento, grandes guerras,
Mas seu sorriso apaziguaria povos.
Na África pessoas continuariam a sofrer,
Mas seu sorriso traria esperança.
Muitos poderiam renunciar a vida,
Mas seu sorriso seria a prova de que existe prazer em continuar vivendo.


(II) Não importava o tamanho do mundo, da praça.
Ela era grande.
Não não importava se rosas não voltassem a nascer.
Ela já havia desabrochado.
Não importava os que a invejavam.
Ela já havia alcançado a perfeição.
Não importava nada, nem ninguém.
Porque ali, naquele exato momento, não existia em parte alguma do universo, um ser mais feliz.

Porque milagres acontecem…

•15 Julho, 2008 • 1 Comentário

Que luz é essa que surge quando menos se espera? Não sei, ela também não imaginava

Tudo parecia perdido, irremediável, sem volta, mas eis que de repente em um daqueles lances fora do script, a luz surge.

Alguns chamarão de acaso, destino, outros de sorte, ela olhará e murmurando vai dizer: milagre.

Seguindo o poeta ele dirá: quem é ateu e viu milagres como eu …

Tudo vai parecer muito estranho, mas no final eles estarão juntos, e terão realizado os planos que no começo só eram possíveis “se acontecer um milagre”

E ai tudo volta a normalidade, não chega a perder graça, mas talvez vire marasmo, porém no fundo eles estarão é a espera de um novo momento em que será preciso mais uma vez recorrer aos milagres.


*Feito a fórceps, mas com carinho para uma caneta assanhada.

Porque milagres acontecem…

Salvador – Cidade Invisível

•15 Julho, 2008 • Não Há Comentários

Uma cidade Fantasma; uma cidade desabitada; assim é Salvador vista a partir de seu centro num dia de domingo.
Se pode ouvir o canto dos passáros, outrora abafado pelas buzinas e murmúrios. Pode-se perceber com atenção uma simples folha levada pela brisa.

Ou ainda a inteligência de seres acostumados com o papel de coadjuvantes, usurfruindo do papel princiapal, num jogo de damas, em plena praça pública, sem expectadores.

Uma cidade onde nota-se com mais clareza a miséria e a desigualdade social, uma cidade às claras e ao mesmo tempo às escuras.

Habitada apenas por mendigos e pedintes. Uma cidade invisível aos olhos de quem não quer ou não precisa vê-la.

Amor estranho amor

•7 Julho, 2008 • 1 Comentário

Fernando e Clarice chegaram de mãos dadas. Ela abriu a porta e então entraram.

No sofá, um senhora de aspectos joviais bordava belas rendas.

- Sua benção mãe
- Deus lhe abençõe minha filha. Como vai Fernando?
- Vou bem tia

Clarice novamente estendeu-lhe a mão e foram juntos ao quarto.
- Ouve alguma coisa enquanto tomo um banho.

Fernando abriu o porta cds preto no último compartimento. Conhecia os caminhos. Pegou um cd, pôs no rádio e foi até a janela.

Ouvia enquanto observava a vista. Não era das mais belas, algo nela o incomodava.

Quando Clarice saiu do banheiro - essa sim era uma vista linda - ela o olhou e sorriu. Ainda de toalha o abraçou. Um abraço que representava muita mais que muito amor.
- É a nossa música

Passaram preciosos segundos ali. Inertes. Sentindo o calor um do outro. Fernando nem se preocupara pelo fato de estar ali, agora tão molhado quanto a toalha.

Tinha em seus braços uma mulher que amava.

Algum tempo depois eles sairam. Seguiram até a praia. Já era noite. Deitaram na grama que antecedia a areia e ali passaram a observar o céu de mãos dadas. Só separadas quando Fernando precisou atender o celular.

-Amor?
Era Rafaela, sua noiva.
-Estou com Clarice na praia - disse, passando em seguida o telefone para Clarice
- Rafa, estou com o nosso amado. Pode ficar tranquila. Juntos os três riram.

E quando Fernando desligou Clarice o observava. Tinha um olhar de complacência. Sorriu. Olhou em seus olhos e disse:
- Eu te amo. E vamos nos amar para sempre.

Fernando tinha agora lágrimas nos olhos. Deu um sorriso que trazia consigo o mais sincero amor e disse:
- Não tenho dúvida, nos amaremos para sempre, como bons amantes e bons e eternos amigos.



*Especialmente pra tu.