“Apaixonadamente como Peri”
Já estava acostumado há alguns anos a não ter mais paixões platônicas . Em todo o tempo de universidade, nenhuma vez sequer sentiu-se platonicamente apaixonado.
É bem verdade que sentiu o coração bater mais forte algumas vezes, mas todas após um período de convivência.
Mas com ela não. Era como se Platão, Aristóteles e Sócrates tivessem se tornado um só. Era um tipo único de paixão.
Seu jeito simples, sua presença sorrateira e de certa forma até imperceptível aos olhares de rapina, criavam sobre ela uma aura, digna das musas de Dostoievski e Garcia Márquez.
Era uma atriz perfeita. Em cena ou não. A cada passo parecia levitar. Com um sorriso encantado, e um olhar que de longe parece perdido, mas que a poucos metros mostra-se o mais belo dos caminhos a se seguir, ela é divina.
É a Gabriela de Jorge, e ao mesmo tempo Capitú.
É a pura Delgadina e a bela Remédios Buendía.
É Helena de Tróia no mesmo instante em que é a fiel esposa do médico cego, fruto da imaginação de Saramago.
É Poliana e é Sofia. É a praieira e a moreninha. Por hora não faz cinema, mas é demais. Não é Rita Lee, mas é para o que quer que se pense a mais perfeita tradução. É ela mesma. E por isso apaixonante. É a mais perfeita personagem que ainda não criei.
É amor. E desde já é amada.

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