Porque um dia a barba pára de crescer

•20 Julho, 2008 • 1 Comentário

Foram oito linhas que findaram uma história de dez anos

Um tempo, um hiato; Assim como todo carnaval, toda banda tem seu fim

Será a hora de ir ao armário e ter contato com a esquecida lâmina de barbear

E pronto, está quebrado o encanto

“E se já não sinto os teus sinais, pode ser da vida acostumar, será?”

Da série “deu uma saudade de vê-los juntos” – texto de um ano atrás.

O mais belo entre todos…

•20 Julho, 2008 • Deixe um comentário


(I) O mundo poderia até acabar ali.
Mas Deus se comoveria com o seu sorriso.
Homens poderiam começar, naquele momento, grandes guerras,
Mas seu sorriso apaziguaria povos.
Na África pessoas continuariam a sofrer,
Mas seu sorriso traria esperança.
Muitos poderiam renunciar a vida,
Mas seu sorriso seria a prova de que existe prazer em continuar vivendo.


(II) Não importava o tamanho do mundo, da praça.
Ela era grande.
Não não importava se rosas não voltassem a nascer.
Ela já havia desabrochado.
Não importava os que a invejavam.
Ela já havia alcançado a perfeição.
Não importava nada, nem ninguém.
Porque ali, naquele exato momento, não existia em parte alguma do universo, um ser mais feliz.

Porque milagres acontecem…

•15 Julho, 2008 • 1 Comentário

Que luz é essa que surge quando menos se espera? Não sei, ela também não imaginava

Tudo parecia perdido, irremediável, sem volta, mas eis que de repente em um daqueles lances fora do script, a luz surge.

Alguns chamarão de acaso, destino, outros de sorte, ela olhará e murmurando vai dizer: milagre.

Seguindo o poeta ele dirá: quem é ateu e viu milagres como eu …

Tudo vai parecer muito estranho, mas no final eles estarão juntos, e terão realizado os planos que no começo só eram possíveis “se acontecer um milagre”

E ai tudo volta a normalidade, não chega a perder graça, mas talvez vire marasmo, porém no fundo eles estarão é a espera de um novo momento em que será preciso mais uma vez recorrer aos milagres.


*Feito a fórceps, mas com carinho para uma caneta assanhada.

Porque milagres acontecem…

Salvador – Cidade Invisível

•15 Julho, 2008 • Deixe um comentário

Uma cidade Fantasma; uma cidade desabitada; assim é Salvador vista a partir de seu centro num dia de domingo.
Se pode ouvir o canto dos passáros, outrora abafado pelas buzinas e murmúrios. Pode-se perceber com atenção uma simples folha levada pela brisa.

Ou ainda a inteligência de seres acostumados com o papel de coadjuvantes, usurfruindo do papel princiapal, num jogo de damas, em plena praça pública, sem expectadores.

Uma cidade onde nota-se com mais clareza a miséria e a desigualdade social, uma cidade às claras e ao mesmo tempo às escuras.

Habitada apenas por mendigos e pedintes. Uma cidade invisível aos olhos de quem não quer ou não precisa vê-la.

Amor estranho amor

•7 Julho, 2008 • 1 Comentário

Fernando e Clarice chegaram de mãos dadas. Ela abriu a porta e então entraram.

No sofá, um senhora de aspectos joviais bordava belas rendas.

- Sua benção mãe
- Deus lhe abençõe minha filha. Como vai Fernando?
- Vou bem tia

Clarice novamente estendeu-lhe a mão e foram juntos ao quarto.
- Ouve alguma coisa enquanto tomo um banho.

Fernando abriu o porta cds preto no último compartimento. Conhecia os caminhos. Pegou um cd, pôs no rádio e foi até a janela.

Ouvia enquanto observava a vista. Não era das mais belas, algo nela o incomodava.

Quando Clarice saiu do banheiro – essa sim era uma vista linda – ela o olhou e sorriu. Ainda de toalha o abraçou. Um abraço que representava muita mais que muito amor.
- É a nossa música

Passaram preciosos segundos ali. Inertes. Sentindo o calor um do outro. Fernando nem se preocupara pelo fato de estar ali, agora tão molhado quanto a toalha.

Tinha em seus braços uma mulher que amava.

Algum tempo depois eles sairam. Seguiram até a praia. Já era noite. Deitaram na grama que antecedia a areia e ali passaram a observar o céu de mãos dadas. Só separadas quando Fernando precisou atender o celular.

-Amor?
Era Rafaela, sua noiva.
-Estou com Clarice na praia – disse, passando em seguida o telefone para Clarice
- Rafa, estou com o nosso amado. Pode ficar tranquila. Juntos os três riram.

E quando Fernando desligou Clarice o observava. Tinha um olhar de complacência. Sorriu. Olhou em seus olhos e disse:
- Eu te amo. E vamos nos amar para sempre.

Fernando tinha agora lágrimas nos olhos. Deu um sorriso que trazia consigo o mais sincero amor e disse:
- Não tenho dúvida, nos amaremos para sempre, como bons amantes e bons e eternos amigos.



*Especialmente pra tu.

“Apaixonadamente como Peri”

•7 Julho, 2008 • Deixe um comentário

Já estava acostumado há alguns anos a não ter mais paixões platônicas . Em todo o tempo de universidade, nenhuma vez sequer sentiu-se platonicamente apaixonado.

É bem verdade que sentiu o coração bater mais forte algumas vezes, mas todas após um período de convivência.

Mas com ela não. Era como se Platão, Aristóteles e Sócrates tivessem se tornado um só. Era um tipo único de paixão.

Seu jeito simples, sua presença sorrateira e de certa forma até imperceptível aos olhares de rapina, criavam sobre ela uma aura, digna das musas de Dostoievski e Garcia Márquez.

Era uma atriz perfeita. Em cena ou não. A cada passo parecia levitar. Com um sorriso encantado, e um olhar que de longe parece perdido, mas que a poucos metros mostra-se o mais belo dos caminhos a se seguir, ela é divina.

É a Gabriela de Jorge, e ao mesmo tempo Capitú.

É a pura Delgadina e a bela Remédios Buendía.

É Helena de Tróia no mesmo instante em que é a fiel esposa do médico cego, fruto da imaginação de Saramago.

É Poliana e é Sofia. É a praieira e a moreninha. Por hora não faz cinema, mas é demais. Não é Rita Lee, mas é para o que quer que se pense a mais perfeita tradução. É ela mesma. E por isso apaixonante. É a mais perfeita personagem que ainda não criei.

É amor. E desde já é amada.

Conversa de Botas Batidas… “diz quem é maior que o amor?”

•7 Julho, 2008 • Deixe um comentário

( . . . )

- Foi a coisa mais linda que ja li…
- Vc acha msm?
- Acho sim. Era pra mim?
- Não sei. Vc queria que fosse?
- Tb ñ sei. Tvz quisesse…
- Tvz?
- É só tvz…fico tensa em pensar
- Pensar em que?
- Nisso. Que fosse pra mim…
- Não seria bom?
- Seria,mas ñ eh isso…vc me surpreende…
- Vc me encanta
- Pensei q te deixasse louco, hehe
- Louco, encantado, apaixonado…
- Tensa de novo *-) me explica…
- “num dia desses num desses encontros casuais”
- …
- “…tvz a gente se encontre, tvz a gente encontre explicação”
- Ta vendo?
- vendo o?
- q vc me surpreede?!
- eu te amo!
- é?
- é te amo, como nunca amei.
- vc me surpreende como nunca, mas tvz te ame…
- tvz?
- é só tvz, a vida eh um grande tvz. Tvz te ligue amanhã, bjs, tenho que ir…
- já vai? Como assim?
- vou! tenho q ir…
- eh vc quem me surpreede ta vendo?
- eh isso é verdade, as vezes surpreendo a mim msma
- vc eh louca!
- é sou tb, tvz por isso te ame…
- vc me ama?
- já disse que tvz..
- mas acabou de dizer…
- disse?
- disse!
- entaum disse!
- bjs, té manhã! te amo!
- tb te amo!
- nos amamos né?
- eh eu amo um chato…um chato q demora meia hora pra dizer q me ama..
- hahahha, sou chato eh?
- bagaralho!
sabe o q queria te dizer de verdade?
- O que? Diz…
- Poha vá se fuder…pq eu já disse q te amo caralho! ahuehauhea…bjs
- hahahhaa…eh por isso q te amo! louca! bjs! até amanhã!
- até bestão!

Baltazar…

•5 Julho, 2008 • Deixe um comentário

Baltazar saiu na rua deserta, olhou para os dois lados e seguiu. A arma ainda nas mãos.Tirou do bolso um lenço branco. Limpou com ele a arma. Caminhava. Passou em seguida o mesmo pedaço de pano sobre a testa e limpou dela gotas de sangue.Não era baixo, tampouco muito alto, tinha pele de cafuzo e traços de mulato.Era de poucas palavras e poucos sorrisos. Mas naquela noite, naquela caminhada ele sorriu. Respirou fundo e sentiu o cheiro da noite. Gostava daquele cheiro. Parou próximo a um botequim. Mesmo de fora escutou aquela que era a sua canção preferida tocando na rádio. Agora tinha lágrimas nos olhos. Voltou a caminhar. Chegou ao cais. Pronunciou algumas palavras. Olhou a água. Acompanhou a marola. Tirou do bolso onde guardara depois da limpeza, a arma. Suspirou. Abriu a boca levou o cano da arma até ela. Haviam 4 balas. Porém apenas uma seria necessária. Engatilhou e disparou. Agora Baltazar flutua morto, nas águas. Não muito longe dali no quarto da sua casa haviam dois corpos, Um homem e uma mulher. Corpos nus. Cada um com um tiro na cabeça. Baltazar matara. Baltazar morrera simplesmente por amor.

Deveras

•5 Julho, 2008 • 1 Comentário
Ela olha o relógio, e parte.

No rádio do táxi fica sabendo que esta nos primeiros minutos de um novo dia.

Tira da bolsa um espelho, se penteia pela 3° vez em 20 minutos.

Pega o celular e certifica-se de que esse não tem carga suficiente para ligar.

Olha o taxímetro. Pede ao motorista que entre por um atalho.

Tem pressa. A proximidade parece trazer também ansiedade.

Gotas de suor descem por traz do rabo de cavalo, retocado constantemente. Certifica-se que todos os botões do vestido estão fechados. Passa a mão sobre o decote. Cheira as mãos tenta achar evidencias, percebe que não as tem.

Suspira. Paga o táxi, cumprimenta o porteiro. Pega o elevador. A tensão aumenta. O coração pulsa cada vez mais forte. A cada giro da chave na fechadura as veias parecem trabalhar mais freneticamente.Ela entra, tira os sapatos, e caminha como um gatuno na escuridão.

Entra no quarto e como se não quisesse ser notada vai em silêncio ao outro lado do quarto, no aparelho sob a escrivaninha clica.Segundos de silêncio e em seguida ouve: “- Amiga agora eu não tenho mais dúvidas, ele me trai.

Já passam das 11 e meia e nada! Nem sinal dele! Eu tenho certeza de que ele esta com a outra!” Ela suspira e diz: É eu também tenho!

Em seguida ascende as luzes e liga o chuveiro. Deveras.

O Homem

•5 Julho, 2008 • Deixe um comentário


Era mais um dia de inverno europeu no hemisferio sul.
Parecia um dia mais frio do que todos outros.
Dentro do ônibus, as janelas fechadas e o contato com outras (várias) pessoas trazia a sensação de calor.
Mas do lado de fora o frio era perceptivel.

Ônibus parado e do outro lado da rua se vê uma figura. Pés ao chão; molhados; em contato com a água da chuva; uma calça e só. É um homem.
Era evidente que era um ser excluido. O contato dos pés com a chão inundado,a barba por fazer,e a pele suja comprovavam a situação.

De repente ele se vira em direção ao ônibus, mas parece seuqer percebe-lo; abaixa a calça e ali diante de todos urina. Como se fosse de encontro à sociedade que ali o observava. Uns o olhavam com olhares dignos de pena, outros riam. Umas não acreditavam no “absurdo”. Alguns segundos, e o ônibus estava novamente em movimento; ele fica. Os olhares de outrora são agora simples “não tenho nada haver com isso” e tudo se perde, mas lá continua aquele homem; pés molhados, corpo de encontro ao frio, excluido,esquecido porém vivo.